segunda-feira, 23 de setembro de 2013

ANJINHO SAFADO

ANJINHO SAFADO

Esse anjinho safado
Tão dissimulado
Em seus sonhos mora.
E te beija a boca
E te deixa louca
E você adora.

Esse anjinho safado
Mal intencionado
A bolinar você.
Sem pedir licença
Com indiferença
Quer se aparecer.

Esse anjinho safado
Todo assanhado
Creio que sou eu.
Sua cupidez
É minha timidez
Nesse corpo seu.

Esse anjinho safado
Tão escancarado
Como o pererê.
É minha libido
Fazendo alarido
à arrepiar você.

Esse anjinho safado
Tão amalucado
Se não o quer mais.
Renuncie seus zelos
Puxe-lhe os cabelos

Vá dormir em paz!

SUA MORTE

SUA MORTE

Me lembro de todos os momentos
e detalhes que levaram você
a morrer dentro de mim

O que sobrou de você
Me importa muito pouco
Nem vou querer saber
Essa coisa encostada
muito espinho, pouca flor
pouco senso
pouco amor

Sua falta de fé
seu gosto por migalhas
O seu mundo emprobrecido
Sua cor opaca.
fogo de palha

Nunca te vi desenhar nos céus
ver imagens nas nuvens
Se lançar pra vida
rasgar os sete véus

Sua morte em mim
era anunciada
morte presumida

me senti alegremente aliviado
diante da sua sepultura.

MORENA

MORENA

Quando conheci morena
Meu instante de pecado
Como se visse um poema
Cor canela amorenado

Não esqueço aquela cena
Vi sua pele escurecida
De quando avistei morena
Minha deusa prometida

Seu sorriso ancoradouro
A mulher de cor trigueira
De uma beleza profunda
Tão bonita, tão faceira

Morena é nome de bicho
De canção, de passarinho
Quero morar em seu colo
Lá quero fazer meu ninho

Morena da cor da tarde
Quando o sol está a se por
Morena é nome de dança
Me embriaga seu calor

Morena é minha miragem
Minha centelha divina
Sua cabeleira de trança
Doce morena menina

Sinto saudades do futuro
Projetado em minha mente
Abraçado a essa morena
Bronzeada permanente

VIÚVA-NEGRA

VIÚVA-NEGRA

Estranha aranha negra
Me engolfa em sua teia
Nesse seu refúgio
Em noite de lua cheia

Hostiliza o meu medo
Não tenha dúvida nem pena
Destila sua peçonha
 E me causa uma gangrena

Me cubra em fios de seda
Um abraço acalorado
Nessa sua bizarrice
Me deixe encapsulado

Como mosca doméstica
Sem armas sem defesa
A me comer com os olhos
Quero se a sua presa

Me conduza em zig-zag
Tira sarro, arranha o jarro
Por entre frestras no porão
Me use no seu escarro

Tarântula, viúva-negra
Determine o meu valor
Nessas suas fiandeiras

Deixe claro o seu amor.